O Piauí registrou 6.830 atendimentos às mulheres vítimas de
violência sexual nos últimos 15 anos, entre os anos de 2004 e 2018. A
violência atingiu todas as faixas etárias, envolvendo desde menores de
quatro anos a maiores de 60 anos. Os dados são do Serviço de Atenção às
Mulheres Vítimas de Violência Sexual (Samvis). Só em 2018 foram 810
vítimas atendidas, sendo a maioria em Teresina, que registrou 481 casos.
Parnaíba vem em seguida com 130 casos.As vítimas que mais recorreram ao Samvis, nos últimos 15 anos, tinham de 10 a 19 anos, pois foram 4.012 atendimentos. Em seguida, crianças entre cinco e nove anos (1.133 atendimentos), jovens e adultas de 20 a 59 (979 atendimentos), menores de quatro anos (668 atendimentos) e maiores de 60 anos (38 atendimentos).
A assistência clínica e
psicológica ocorreu por meio dos nove pólos do SAMVIS, localizados nas
cidades de Teresina (5.334 atendimentos), Parnaíba (566), Bom Jesus
(168), São Raimundo Nonato (153), Picos (409), Floriano (133), Corrente
(38), Campo Maior (28) e Pedro II (01).
Manifestação
Nesta
sexta-feira (17), uma manifestação na Praça da Bandeira, no Centro de
Teresina, chama a atenção para o enfrentamento e a necessidade urgente
de combater ao abuso e à exploração sexual contra crianças e
adolescentes.
O ato faz referência ao 18 de Maio, Dia Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes.
A presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e dos Adolescentes, Luciana Evangelista, declarou ao Cidadeverde.com que
o ato é uma maneira de sensibilizar a população para esse tipo de crime
e orientar às pessoas sobre como denunciar os casos de violência.
“A
violência sexual atinge diversas áreas da pessoas humana. É uma
violência física e psicológica. As pessoas que cometem esse tipo de
crime contra crianças e adolescentes são referências de confiança para a
maioria, como pais, avós e tios. Isso pode desencadear transtorno
mental na vítima; um trauma para toda a vida”, comenta Luciana
Evangelista.
Em alguns casos, as crianças e adolescentes chegam a
engravidar dos próprios tios, pais e avós ao forçar a conjunção carnal.
Rodrigues alerta que o simples toque já pode ser caracterizado como
violência sexual.
Além disso, as pessoas também podem ser
denunciadas por importunação e compartilhamento de imagens envolvendo a
sexualização de crianças e adolescentes.
No Samvis, as vítimas são
acolhidas, passam por profilaxia das doenças sexualmente
transmissíveis, como AIDS e Hepatite B; anticoncepção de emergência e
acompanhamento bio-psico-social.
Redes Sociais
Luciana
Evangelista também comentou que a exposição virtual de crianças e
adolescentes nas redes sociais é um risco e aumenta os casos de assédio
sexual.
“O assédio sexual pelas redes sociais está forte. às
vezes, as pessoas (os responsáveis pelas crianças) postam fotos sem
perceber a gravidade disso. Publicam, de certa forma, imagens erotizadas
(apenas de calcinha ou com o bumbum à mostra) nas redes sociais.
Ninguém sabe quem é pedófilo, se o pai já violenta imagine ‘um estranho’
que está do outro lado da tela”, alerta.
A orientação é de que os
responsáveis evitem postar fotos de crianças nas redes sociais. “Nós
precisamos ter mais zelos pelas nossas crianças e adolescentes”,
ressalta Luciana.
Como denunciar
Luciana
Evangelista orienta que os casos envolvendo violência sexual contra
criança e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100.
As
denuncias também podem ser feitas por meio dos Conselhos Tutelares, das
delegacias especializadas (Delegacia de Proteção à Criança e ao
Adolescente), pela direção da escola e pelos hospitais, onde as vítimas
podem buscar por atendimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário