Em discurso na sessão desta
quarta-feira, César Pires lembrou que o governo do Maranhão,
classificado como mau pagador no sistema financeiro, já não tem acesso a
crédito internacional. E também não poderá contratar empréstimo para
pagar os precatórios que está devendo por ainda não existir linha de
crédito com essa finalidade.
“Não questiono a legalidade, mas a
imoralidade desse projeto. O governo tanto é consciente que não pode
fazer esse empréstimo que já entrou com ação na justiça alegando as
dificuldades em relação a essa operação. A própria Advocacia Geral da
União afirma que a Emenda Constitucional 99, que autoriza empréstimo
para pagar precatórios, ainda não está regulamentada. Em resumo: o
governo não pode fazer esse empréstimo”, esclareceu César Pires. Ele
informou também que, no trâmite do recurso judicial impetrado pelo
Estado, a AGU manifestou que não há regulamentação da Emenda
Constitucional para viabilizar a abertura de linha de crédito pleiteada
pelo governo do Maranhão.
Para o deputado, o governo quis somente
enganar a Assembleia e a população ao propor o projeto de lei,
considerando que em 2017, por meio do Processo Administrativo TJ/MA nº
2811/2017, o Estado aderiu ao regime especial para pagamento de
precatórios e não cumpriu. “O governo quis mentir para a sociedade,
criando a expectativa de que vai pagar os precatórios, e se livrar da
improbidade administrativa, já que não está honrando o acordo que fez de
repassar parcelas de 1/12, para quitar esses débitos já assegurados
pelo Tribunal de Justiça. Eu prefiro o caminho da indignação, a
participar dessa enganação, aprovando esse projeto”, enfatizou.
César Pires apresentou também análise do
Tribunal de Contas do Estado (TCE) que apontou que, com base em sua
dotação orçamentária, o Governo Estadual “descumpre o artigo 100 da
Constituição Federal, que traz comando obrigatório de inclusão no
orçamento de verba necessária ao pagamento de débitos referentes a
precatórios, fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte”.
O deputado concluiu dizendo ser
favorável às pessoas que aguardam ansiosas pelo pagamento dos
precatórios, e por isso mesmo sua indignação com a manobra do governo
estadual. “O Estado está quebrado, acabou com o FEPA e o Funbem e não
paga suas dívidas. Essa é a realidade dos fatos”, finalizou.
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