A emenda de Eduardo Cunha permitiu que
a renovação de concessão proposta pela MP pudesse ser feita por empresas que
tinham débito com a União desde que os grupos econômicos se submetessem a
resolver a dívida em uma câmara de arbitragem. O texto original do governo
vedava a renovação para os devedores. A proposta do atual presidente da Câmara
foi aprovada pelo Congresso e sancionada por Dilma. O Grupo Libra, segundo o
jornal, foi o único a se beneficiar com a medida.
O conglomerado administra uma área do
terminal portuário desde 1998, quando venceu uma concorrência oferecendo pagar
dez vezes mais pela concessão do que o segundo colocado. Poucos meses depois, o
grupo passou a contestar o contrato afirmando que a área era menor do que o
previsto. De acordo com o jornal, a dívida, corrigida, estaria em R$ 850
milhões. Com base na emenda de Cunha, foi celebrada a adesão à arbitragem e a
renovação da concessão por 20 anos. O contrato foi assinado pelo ex-ministro
Edinho Araújo, deputado federal e próximo de Temer. O grupo Libra se
comprometeu a fazer novos investimentos de R$ 750 milhões.
Ana Carolina Borges Torrealba e Rodrigo
Borges Torrealba, sócios do grupo, doaram R$ 1 milhão para o comitê financeiro
montado pelo vice-presidente em 2014. Os recursos foram repassados a aliados do
vice.
O vice-presidente negou ao jornal
qualquer vinculação entre a doação recebida e a renovação da concessão.
Ressaltou que o montante foi repassado a 12 candidatos e um diretório estadual
do PMDB. A Secretaria de Portos argumentou que a arbitragem permitirá resolver
o conflito de forma mais célere, uma vez que haviam nove processos em andamento
na Justiça. Ressaltou que a renovação da concessão está condicionada à solução
do impasse pela arbitragem. O ex-ministro Edinho Araújo também defendeu a
celeridade como justificativa para a renovação e ressaltou que no novo formato
do contrato a capacidade do terminal dobrará, gerando mais empregos.
O Grupo Libra negou estar
inadimplente, ressaltando que caberá à arbitragem definir se há débitos ou
créditos na relação com a União. Pelo Twitter, o presidente da Câmara, Eduardo
Cunha, afirmou que a matéria não esclareceu que a emenda foi feita “bem antes
da suposta doação”. Destacou que a emenda foi aprovada pelo Congresso e
sancionada por Dilma. Afirmou que a sua emenda apenas trouxe para a MP dos
Portos previsão que já havia na lei da arbitragem, em tramitação na Câmara.
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