Na
terceira edição do curso, que começará em junho deste ano, um oficial da
Argentina se sentará ao lado de membros do Exército, Marinha e Aeronáutica
brasileiros. A participação dele é fruto de um acordo de cooperação entre o
Brasil e o país vizinho, feito durante a visita do ministro Celso Amorin a
Buenos Aires, em 2013. Em contrapartida, um oficial brasileiro passa por uma
capacitação em segurança de rede e criptografia na Argentina. O Exército não
revelou os nomes dos dois.
O
treinamento de guerra cibernética é uma das principais atividades do Centro de
Defesa Cibernética do Exército (CDCiber). “É simplesmente a aplicação do conhecimento
que nós temos no dia a dia para os sistemas usados em campanha [militar]. Hoje,
os nossos sistemas de comando e controle estão apoiados em redes de
computadores também”, explica o coronel Alan Costa, subchefe do centro. “À
medida que você leva essa capacidade para o nível tático, leva também
vulnerabilidades”, completa.
A
ferramenta usada para os exercícios de guerra virtual é o Simulador de Guerra
Cibernética (Simoc). Nele, os oficiais são submetidos a situações de gato e
rato digital. Se por um lado, têm de evitar que agressores explorem brechas em
seu sistema. Por outro, devem executar missões em que têm de descobrir falhas
nas redes inimigas para cumprir objetivos. “O simulador permite esse jogo em um
ambiente virtual simulado”, diz o coronel Costa.
O
Simoc é uma tecnologia brasileira fornecida pela Rustcom, uma das 26 Empresas
Estratégicas para a Defesa nacional. Segundo o presidente da companhia, Carlos
Rust, o software permite aos instrutores criarem cenários virtuais, como a rede
interna de uma casa, a de uma termelétrica ou a de uma grande empresa, como a
Petrobras.
Não
são apenas oficiais em treinamento que utilizam o Simoc. Membros das forças de
defesa que farão parte da operação em torno da Copa do Mundo fizeram um
treinamento intensivo no Simoc, concluído na sexta-feira (16). “Para a Copa da
Mundo, foram feitos novos cenários. São coisas reais: é a defesa de um eventual
ataque a Itaipu”, diz Rust.
Guerra
simulada
“Técnicas
que estão sendo usadas são incorporadas, e as ultrapassadas, são descartadas.
Isso mantém a ferramenta sempre atualizada”, explica Costa.
O
treinamento do qual o oficial argentino irá participar começa em junho e dura
todo o segundo semestre do ano. Os primeiros três meses são feitos remotamente
e os três últimos, em Brasília.
O
Simoc utilizado no treinamento de 2014 será a segunda versão do simulador, que
recebeu atualizações, diz Rust. Durante as missões, os combatentes agora
poderão controlar equipamentos eletrônicos ligados à internet (câmeras ou
sensores) –só era possível visualizar esses dispositivos dentro da rede.
As
missões exigem que objetivos secundários sejam cumpridos. Agora, os instrutores
poderão estipular tempos diferentes para cada uma etapas sejam executadas. “A
tua missão é roubar um arquivo que está em um diretório em uma máquina, mas
antes tem que acessar o computador de um funcionário, achar no Facebook o
perfil dessa pessoa. Quando o professor cria esse exercício, tem um tempo até o
objetivo final”, explica Rust.
Outra
das atualizações é que o Simoc também simulará o tráfego de internet da rede
alvo, o que pode deixar a missão mais complicada. Além de treinar as
habilidades em ataque e defesa cibernética, o Simoc também poderá preparar os
militares para gerenciar uma rede.
Quando
os exercícios são propostos, os militares são colocados em cenários, como o
conflito entre dois países vizinhos, por exemplo. Novas situações foram
adicionadas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário