A fé cristã é fundamentada em dois pilares inegociáveis: a verdade e a justiça. Para quem segue esses princípios, a honestidade não é opcional, é um mandamento. No entanto, vivemos um momento em que a coerência está em xeque. Existe uma expressão antiga que resume bem o perigo atual: “usar dois pesos e duas medidas”. Isso acontece quando usamos o rigor da lei para julgar os outros, mas pedimos “jeitinhos” ou impunidade quando o erro acontece dentro do nosso próprio grupo.
O Crime Não Tem Religião: Recentemente, a senadora Damares Alves tomou uma decisão que gerou barulho: divulgou a lista de pastores e igrejas convocados a prestar esclarecimentos na CPMI do INSS, que investiga fraudes contra aposentados. Muitos criticaram a parlamentar, alegando que isso “escandaliza os fiéis”. Mas precisamos inverter essa lógica.
O que escandaliza o Evangelho não é a investigação ou a luz da transparência; o que escandaliza é o crime. Se houve prática de “rachadinha”, lavagem de dinheiro ou corrupção sob o manto da religião, a investigação não é um ataque à igreja, é uma limpeza necessária. Líderes que usam o nome de Deus para obter vantagens ilícitas ferem a própria fé que dizem representar. A fé deve ser um farol de integridade, nunca um esconderijo para quem infringe a lei.
A Liberdade Não Pode Ser Punida: Enquanto devemos ser rigorosos com o erro moral, precisamos ser firmes na defesa da liberdade. É aqui que entra o contraste com o caso do Prof. Dr. Tassos Lycurgo, da UFRN. O professor enfrenta tentativas de expulsão do quadro docente motivadas por grupos que não aceitam suas convicções religiosas e sua liberdade de expressão.
Aqui, a balança pende para o outro lado. Enquanto criminosos não podem usar a fé como escudo, cidadãos honestos e professores competentes não podem ter sua fé usada como alvo. Ser cristão e expressar seus valores de forma ética não é crime. Perseguir alguém por sua crença é um ataque à democracia e às liberdades fundamentais de consciência e expressão.
O Caminho da Verdadeira Justiça: A verdadeira justiça não escolhe lados; ela escolhe a verdade. Para que a nossa sociedade seja saudável, precisamos aplicar dois rigores simultâneos:
- Punição para o crime: Se um líder religioso comete atos ilícitos (como peculato ou tráfico de influência), ele deve responder como qualquer outro cidadão. Não existe “blindagem espiritual” para quem desvia dinheiro público.
- Proteção para a liberdade: Se um cristão exerce seu papel na sociedade e expressa suas crenças de modo honesto, ele deve ser protegido contra a perseguição ideológica.
O Fortalecimento pela Verdade: Quando a igreja se recusa a passar pano para o erro interno, ela ganha autoridade moral para lutar contra as injustiças externas. O eleitor e o fiel devem estar atentos: não basta o candidato ou o líder falar o nome de Deus; é preciso observar se ele pratica a justiça e a honestidade.
A corrupção e a intolerância são duas faces da mesma moeda que desonra a nação. Onde há prática da verdade, há bom testemunho. Que saibamos distinguir o joio do trigo, combatendo o crime com firmeza e protegendo a liberdade de crer com coragem. Só assim teremos uma fé que, em vez de servir a interesses próprios, serve de exemplo para o Brasil.
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