No
último dia 14 de dezembro, duas mulheres compareceram à sede das
Promotorias de Justiça de Imperatriz para prestar depoimento em que
dizem ter sido vítimas de abuso sexual cometido pelo médium João
Teixeira de Farias, conhecido como João de Deus.
De
acordo com o Ministério Público de Goiás, até terça-feira, 19, já
tinham sido registradas 506 denúncias de mulheres que afirmam ter sido
abusadas pelo líder espiritual de Abadiânia (GO), que foi preso no
domingo, 16.
Diante
da promotora de justiça Alline Matos Pires Ferreira, da 8ª Promotoria
de Impertariz, a autônoma de 39 anos relatou um caso ocorrido em 1996,
quando tinha 16 anos. Levada pelos pais até Abadiânia, na Casa Dom
Inácio de Loyola, frequentou o local por cerca de dois meses, entre
abril e junho desse ano, para fazer um tratamento contra depressão.
Nos
primeiros dias do tratamento, a declarante auxiliava nos trabalhos da
casa, segurando a bandeja dos instrumentais das cirurgias que eram
realizadas com meditação.
Segundo
seu depoimento, em junho de 1996, por volta das 17h30, o médium lhe
comunicou que precisava atendê-la na sala reservada. Ao entrar sozinha
no cômodo, João de Deus deu-lhe uma água com pétalas de rosas. Pelo que
se recorda, perdeu os sentidos por algum tempo.
Quando
despertou, percebeu que estava de joelhos entre as pernas de João de
Deus e que ele estava com as vestes abaixadas. A declarante reparou,
ainda, que estava com as roupas abertas.
Ela
igualmente declarou que quando voltou a si ficou apavorada e com
vontade de gritar. Imediatamente, João de Deus tentou acalmar a
declarante, mas como viu que ela estava muito nervosa, a ameaçou dizendo
que não adiantaria contar nada para ninguém e que se ela fosse embora,
ao pegar o ônibus, o mesmo iria tombar.
Depois
do episódio, a declarante afirmou que o quadro de depressão se agravou,
levando-a a tentar o suicídio várias vezes. Somente depois de três
anos, quando começou a frequentar um grupo religioso, ela teve alívio.
OUTRO CASO
O
outro depoimento envolve uma funcionária pública estadual de 56 anos.
Para a titular da 3ª Promotoria de Imperatriz, Raquel Chaves Duarte
Sales, ela relatou que foi molestada pelo médium quando tinha apenas 14
anos e morava na cidade de Tocantinópolis (TO).
A
mãe dela era gerente de um hotel quando o médium hospedou-se no
estabelecimento. Ao buscarem um atendimento espiritual com ele, a mãe,
depois de atendida, teve que deixar a filha sozinha com ele no quarto.
Segundo
a funcionária pública, nesse momento, ela passou a ser abusada por João
de Deus, que lhe obrigou a tirar a roupa, alegando ser parte do
tratamento para melhorar a energia dela, que estaria baixa.
Redação: CCOM-MPMA
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