A primeira estratégia usada para contrapor a manifestação popular dentro da Câmara foi ocupar todas as cadeiras do parlamento com apoiadores do SAAE, eram tantos que suas vaias chegavam a cobrir o coro dos indignados.
Assim que um grupo de revoltados chegou com faixas e cartazes logo houve bate-boca com os aliados do SAAE que não queriam ver sua frente tapada. Parte dos contra teve que sentar no chão enquanto a situação não esquentava.
A sessão foi aberta com a presença de todos os vereadores:
- Chiquinho do Saae
Pedro Belo
- Domingos Reis
- Pastor Max
- Gracinaldo Ferreira
- Maria Paz
Expedito Carneiro
- Leonel Filho
Carrim Construção
Rodrigo Figueiredo
Chaguinha da Câmara
Com a pressão aumentando por causa das palavras de ordem vindas, principalmente, de representantes da União da Juventude Socialista e de comunidade quilombolas (como a de Santa Maria dos Moreiras), que diziam, entre outras coisas “Arquiva, arquiva, arquiva o projeto ou 45 é roubo, 45 é roubo, 45 é roubo”, numa alusão ao percentual pedido pelo prefeito Zito Rolim, via projeto de Lei Complementar, logo apareceu um emendador.
A ESTRATÉGIA
Coube à Leonel Filho, líder do Governo, propor uma emenda, ao que parece, previamente arquitetada nos bastidores depois da explosão da população, na imprensa, contra os 45%.
O que fortalece a suspeita de trama nos bastidores é o fato da emenda do vereador Carrim Construção (PSDB), muito mais vantajosa para a população, apesar de ainda salgada, ter sido deixada pra escanteio. Na semana passada, Carrim propôs baixar o percentual para 22%, mas sua emenda não foi sequer discutida ou mencionada na inesquecível noite de 9 de março de 2015.
Valeu mesmo a de Leonel Filho, do PTN.
COMO TRATORES
Seguindo os trâmites do regimento, a emenda de Leonel voltou para o plenário. As comissões da Casa deram parecer favorável relâmpago e daí por diante era pra ter começado a discussão da emenda (que é aquele momento em que cada vereador usa a Tribuna para dizer se é contra ou a favor e falar aquele monte de coisas longas e desnecessárias).
Pois bem, o primeiro, e único, a tentar fazer alguma explanação foi Domingos Reis, aquele mesmo que tinha recebido orientação de seu partido, PT, para não votar no projeto dos 45% pedidos Pelo Poder Executivo.
Em fez de ir direto ao ponto, dado aos ânimos inflamados, Dominguinhos achou de iniciar um ataque à imprensa direcionando-se ao Sistema FC de Comunicação, mas quando tocou no nome do empresário Francisco Carlos de Oliveira foi impedido de continuar pelos manifestantes presentes na Câmara que começaram a gritar e a vaiá-lo pedindo que fosse mais objetivo.
“Pois vote contra o projeto vereador, deixe de conversa” outros disseram “pois fique do lado do povo vereador”.
Domingos Reis não conseguiu vencer a gritaria e pediu para deixar a Tribuna voltando para seu assento na mesa ao lado de Chiquinho do Saae, este, por sua vez, irritado e após pedir silêncio diversas vezes, pulou a oratória dos votantes e passou a fazer tudo ‘ a toque de caixa”, disse imediatamente:
“EM VOTAÇÃO, AQUELES QUE SÃO A FAVOR PERMANEÇAM SENTADOS, OS CONTRÁRIOS QUE SE LEVANTEM”.
Ficaram sentados (sendo a favor do projeto com aumento de 26%):
- CHIQUNHO DO SAAE
- DOMINGOS REIS
- PASTOR MAX
- GRACINALDO FERREIRA
- LEONEL FILHO
- E MARIA PAZ
Não se curvaram aos interesses do SAAE, os parlamentares (votando contra o aumento):
Expedito Carneiro
Pedro Belo
Carrim Construção
Chaguinha da Câmara
E Rodrigo Figueiredo
EMPURRA-EMPURA E BATE-BOCA
Daí por diante o clima esquentou dentro do plenário. Jovens subiram na mesa dos edis e foram encostando na mesa diretora que à este tempo se desfazia com maior rapidez. Há uma imagem feita pelas TVs que mostra pastor Max saindo de mansinho sem chamar atenção.
Neste momento o jovem Augusto Aluízio, da União da Juventude Socialista, foi empurrado com violência por defensores do aumento. Ele cobrava explicações em voz alta apontando o dedo para o vereador Chiquinho quando isso ocorreu próximo à mesa da presidência.
Seus próprios colegas o tiraram da confusão, depois outra se formou no plenário, mas foi contida.
“Nós não vamos aceitar reajuste que fira o bolso do codoense, se a dívida foi contraída por falta de administração que eles arquem com dívida deles e nós, de forma alguma, iremos aceitar esse reajuste porque chega a ser um crime como vínhamos gritando ao longo do nosso ato e nós não vamos aceitar de forma alguma”, disse o jovem agredido à TV Mirante
“É UM ABSURDO”
O descontentamento foi geral. O professor e ainda estudante universitário Antonio Carlos Mesquita tachou de ‘absurdo’ o aumento de 26% aprovado em forma de imposição pelos vereadores da base aliada de Zito Rolim.
“Ainda é um absurdo porque não existe um imposto aumentado pra população de 26%, isso é um roubo, é uma afronta ao povo codoense e a pior coisa é que a vontade do povo não é respeitada na Câmara Municipal de Codó, votaram a favor dessa vergonha que faz com que onera a população codoense que não tem benefício nenhum”, disse indignado
O idoso Abílio Moraes também saiu enfurecido do parlamento.
“Quem gastou o dinheiro é quem paga, a prefeitura gastou ela é quem paga, não é nós consumidor não, nós somos pobre, nós só ganha um salário mínimo nós não tem condição de pagar conta de seu Chiquinho, nem de seu Zito não, nós tem que paga a nossa’, disse
PARABÉNS AO POVO E À IMPRENSA
No fim das contas, milhares de codoenses acabaram mesmo derrotados por apenas 6 vereadores governistas.
Sem opção, teremos mesmo que pagar conta de água 26% mais cara a partir de agora, mas a imprensa séria fez a parte dela na internet, no rádio e na TV – Alertou, denunciou, abriu espaço para os cidadãos se expressarem.
O povo também entendeu que era preciso partir pra luta e os vereadores sentiram que não estão mais atuando como se estivessem cuidando de um bando de jumentos soltos numa capoeira sem água, só com éguas.
Parabéns à todos que se engajaram nesta luta popular e não nos esqueçamos nunca da fatídica noite de 9 de março de 2015 e, muito menos, de seus 6 protagonistas – Chiquinho, pastor Max, Maria Paz, Domingos Reis, Gracinaldo Ferreira e Leonel Filho.
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