PERDA » Morre o jornalista, escritor e cronista maranhense Ubiratan Teixeira

Compartilhe:
A Literatura, as Letras e a Arte do Maranhão perderam um de seus mais importantes precursores. Faleceu, na manhã de ontem, o professor, crítico de arte, jornalista, ficcionista, cronista, diretor e autor de textos teatrais, Ubiratan Teixeira. Ele estava internado a pouco mais de um mês, lutando contra um câncer no estômago. O velório foi realizado no fim da tarde, na sede da Academia Maranhense de Letras (AML). Familiares, amigos e companheiros das Letras e das Artes maranhense foram prestar a última homenagem ao escritor. “Meu avô foi tudo para mim. Foi avô, pai e amigo. Além da herança cultural que ele deixa, fica a emocional. Tudo que me tornei, de caráter e intelectualidade devo a ele”, disse Eduardo Filipe, 26 anos, neto do escritor Ubiratan Teixeira. O sepultamento está marcado para hoje, 16, a partir das 10h, no cemitério Jardim da Paz, no Maiobão.

Eduardo foi criado pelo avô e desenvolveu com ele o amor pela Literatura. “Tínhamos uma relação muito estreita, como nem todos os netos têm com seus avós”, O neto foi inspiração para uma das obras do avô. Em sua homenagem Ubiratan Teixeira escreveu o livro ‘Buli-Buli’, nome retirado do palavreado confuso do então menino e que só o avô conseguia entender. “Buli-buli era como eu chamava as borboletas, e mesmo sem ter nada a ver com o nome original meu avô sabia o que eu dizia. Aliás, era ele o único a entender minha fala àquela época”, explica o neto, que, quando criança, tinha problemas de dicção. “Meu avô era meu esteio, meu estímulo. Sua morte é uma falta irreparável para mim”, concluiu.

Para Ubiratan Pereira Teixeira Filho 58 anos, fica um rico legado para a Cultura maranhense e a lembrança do homem extrovertido e de visão bem peculiar de mundo. Mesmo em seus últimos momentos foi forte, diz o filho. Da Unidade de Terapia Intensiva onde estava internado, passou ao leito e mesmo já definido seu quadro de saúde, permanecia sereno, segundo avaliou o filho. “Meu pai resistiu bravamente e acreditamos que sua morte veio como um alívio para a dor que ele já sentia nos últimos momentos, para aplacar um sofrimento grande. A obra dele retrata fielmente a pessoa que ele foi. Para nós, ficam muita dor e muita saudade”, diz Ubiratan Teixeira Filho.

Uma antiga amizade que se consolidou no campo das Letras. Joaquim Itapary, que também é escritor e membro da Academia Maranhense de Letras, define o amigo Ubiratan Teixeira como alguém extremamente culto, ético e extrovertido. Conheceram-se na redação do Jornal do Povo, onde Ubiratan se dedicava ao jornalismo, uma de suas formações. Joaquim Itapary acompanhou o desabrochar do teatro nas artes e cultura de Ubiratan Teixeira, no qual sua dedicação lhe tomou grande parte do tempo de suas produções. “Para se aperfeiçoar ainda mais, ele realizou diversos cursos na Europa, berço de grandes artistas”, ressalta Itapary. O escritor pontua que eram muito amigos e que sempre teve um enorme apreço por Ubiratan. “Nem tive condições de vê-lo nestes últimos momentos para guardar sempre comigo aquele imagem que tenho dele: uma pessoa de mente muito profícua e de grande caráter. Sua morte é uma perda irreparável para o jornalismo e a cultura maranhense”, disse o escritor.

“A morte de Ubiratan é uma grande perda para o teatro, pois ele foi um dos mais lúcidos na crítica da produção teatral maranhense”, avaliou o diretor teatral, dramaturgo e doutor em Artes Cênicas, Tácito Borralho. O dramaturgo pontua a contribuição de Ubiratan Teixeira para se repensar os valores da criação e produção teatral. “Ele respeitava muito as produções maranhenses”, diz Borralho. O dramaturgo cita Dicionário de Teatro, elaborado por Ubiratan, como uma das obras mais importantes para o cenário teatral. Lembra ainda ter sido incentivador da última produção do escritor, o livro de coletâneas ‘Bastidores’, que reúne histórias do teatro local. “Provoquei bastante este trabalho, pois ele, já adoentado, acreditava que talvez não pudesse levar à frente a obra. Sem dúvidas, Ubiratan é uma figura ímpar da nossa cultura e teatro”.

Ubiratan Teixeira foi escola unânime para nomear e ser homenageado na oitava edição da Feira do Livro de São Luís, que será aberta dia 23 de outubro. Com seu falecimento, a homenagem será in memorian e permanecem todas as atividades pensadas tendo sua obra como base. “Ele será o homenageado e pensamos ampliar ainda mais as atividades envolvendo sua obra. Só não teremos, infelizmente, sua presença física”, disse a coordenadora do evento, Rita Oliveira. Ela ressaltou ter sido o escritor “um dos mais expoentes homem das Letras maranhense, principal ficcionista e de uma extensa e rica produção literária”.

O presidente da Fundação Municipal de Cultura, Francisco Gonçalves, lamentou a morte do escritor. Gonçalves pontuou que “Ubiratan foi um grande professor, um dos mais importantes cronistas e crítico de arte de nossa cidade. Ele representava a figura do grande intelectual e formador de opinião em diversas áreas da Arte e Cultura. Lamentamos com muito pesar a perda do escritor que será um dos nossos homenageados na Feira do Livro deste ano”.

Governo e Prefeitura lamentam perda
Solidarizando-se com amigos, familiares e admiradores, a governadora Roseana Sarney lamentou profundamente a morte do escritor e teatrólogo Ubiratan Teixeira. Em nota, a governadora Roseana Sarney se referiu a Ubiratan Teixeira como “um grande apaixonado pela arte, durante décadas, que fez com que dezenas de jovens do nosso estado descobrissem e também se encantassem por esse universo e levassem aos palcos a rica produção de autores maranhenses e internacionais”. A governadora destacou ainda que o escritor “deixa um legado de dedicação e trabalho ao teatro do Maranhão”.

A Prefeitura de São Luís também enviou nota lamentando o falecimento do escritor, onde o prefeito Edivaldo Holanda Júnior manifestou pesar pela morte do escritor e “solidariedade à família e amigos, com votos de fé e esperança, sob o consolo de Deus”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário