OPINIÃO//PEDRO LEONEL » Sem arborização o clima do Norte da espaço ao calor do Nordeste

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 São Luís, capital nacional da feiúra

PEDRO LEONEL
 
 
Não há nada mais triste do que uma chuva de fim de inverno. Ela vem, espaçadamente, sem aquela força típica de uma precipitação tropical, como que envergonhada de ainda insistir com um inverno que se despede. Episódicas e tópicas, quase sempre, são chuvas que nunca trazem o tamanho e a intensidade daquelas, em pleno inverno, que dominavam o céu durante horas ou dias. Daí a tristeza de uma chuva envergonhada.

A observação está ao alcance de todos, mas só poucos estão atentos ao detalhe nostálgico. Nós, os habitantes de São Luís, os de hoje, poucos podem dar, em matéria de chuvas, um depoimento daquilo que ocorria há mais de cinquenta anos nesta cidade. Que me desmintam os coetâneos. Na década de quarenta do século passado, por exemplo, o período chuvoso se iniciava em novembro/dezembro e se prolongava até junho/julho; eram invernos pesados e inclementes, com índices pluviométricos iguais aos da Amazônia, cuja região o Maranhão integrava às completas. Tanto é que nosso estado, hoje, já pertence politicamente ao Nordeste brasileiro depois que assim passou a ser em termos de clima e revestimento florestal: estamos nos aproximando da desertificação nordestina, e isto em escala assustadora.   

Dizem os homens da Baixada maranhense que, ultimamente, anos há em que o inverno é vasqueiro, dizendo-se assim aquele que, escasso de chuvas, estas não são suficientes para encher os campos inundáveis. É um desastre, porque causa desequilíbrio em todo o ecossistema da região.

O quadro assim é irreversível, quer causado pela natureza ou pelo homem. Irreversível, sim, e o homem o máximo que pode fazer é minorar- lhe os efeitos nocivos. No particular, no mundo, o exemplo mais edificante é o de Israel que com muito método, tecnologia e perseverança conseguiu transformar o seu deserto em verdadeiro pomar.

E nossa São Luís nesse quadro está bem desenhada: uma cidade a cada mais quente, inóspita, indigente de arborização e carente de áreas verdes. Das capitais brasileiras a nossa, com certeza, é a mais feia, triste e agressiva ao homem. Querem comparar? Citemos só três, das capitais estaduais, que podem ser elencadas como paradigma: Goiânia, Teresina e Belém. Nestas cidades as autoridades locais sabem o que é plantar e o seu povo, o que é conservar.

Em São Luís, lamentável é dizer, nunca houve um Prefeito que tivesse um mínimo de inteligência e um pouco de vontade política voltada a desenvolver um programa massivo e intensivo para arborizar a cidade. Ou, quando não, para iniciar uma política nesse sentido até porque, pelo tamanho e envergadura, não é obra para uma só administração.

Desgraçadamente, na espécie estamos bem longe do exemplo israelense. Do Prefeito anterior tivemos a tola iniciativa de plantar palmeiras na cidade, que tanto precisa de árvores frondosas; agora, o Prefeito da vez nem ao menos nos acena com as magras carnaúbas de ontem. 

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