Em São Luís as festividades juninas encerram dia 30 de junho, mas para alguns a folia pode terminar mais cedo. A falta de cuidados com os fogos de artifício, como por exemplos, as inofensivas “bombinhas”, causam todo ano acidentes graves que poderiam ter sido facilmente evitados.
De acordo com dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão (SBCM), uma em cada dez pessoas que mexem com fogos de artifício tem membros amputados.
De acordo com dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão (SBCM), uma em cada dez pessoas que mexem com fogos de artifício tem membros amputados.
Em entrevista ao jornal O Imparcial, o Tenente Coronel Júlio César, do Corpo de Bombeiros da capital, alerta para que as pessoas tenham muito cuidado com a procedência do produto que compram. “É preciso saber a origem de fabricação, se o ponto de revenda do produto é autorizado pelo Corpo de Bombeiros, a validade do produto, a classificação indicativa, e se ele é registrado”, conta.
“Caso o fogo de artifício falhar após acendê-lo é importante que o usuário espere de 3 a 5 min antes de ir pegá-lo. Existem muitos casos em que a pessoa ao perceber que a produto falhou, se aproximou e o produto explodiu em seu rosto ou corpo”, alerta o Coronel.
A SBCM divulgou ainda que dos casos de acidentes com fogos de artifício 70% são de queimaduras, 20% de lesões com lacerações ou cortes, e 10% são de amputações dos membros superiores. Outros riscos existentes são lesões, perda de visão ou audição.
Muitos ferimentos de queimadura se agravam por conta do desconhecimento sobre como proceder neste tipo de situação.
O dermatologista Eduardo Lago alerta sobre a gravidade dos acidentes. “Vão desde leve vermelhidão até a formação de úlceras (feridas profundas). Na região da face se torna mais grave, principalmente se atingir os olhos, podendo em alguns casos levar a perda da visão. Dependendo da quantidade de pólvora, algumas bombas podem levar a destruição completa da mão ou outra área do corpo”.
Lago ainda conta que as crianças são mais vulneráveis. ”A pele mais fina, assim temos uma extensão maior de área lesada (percentual de área afetada) e eles sabem menos como evitar a queimadura. Jovens e adultos costumam sofrer acidentes mais graves por utilizarem fogos com maior quantidade de pólvora”, diz.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), o primeiro cuidado é extinguir a fonte de calor, ou seja, impedir que permaneça o contato do corpo com o fogo, líquidos e superfícies aquecidas, entre outras causas do acidente.
Em seguida, procure lavar o local atingido com água corrente em temperatura ambiente até que a área queimada seja resfriada.
Se não houver Posto de Saúde nas proximidades, serviços de socorro devem ser acionados, como a SAMU e o Corpo de Bombeiros ou procurar uma Emergência hospitalar.
A SBQ alerta para que não passe pomadas no local atingido. A pele fica extremamente sensível após uma queimadura e as pomadas, ainda que adquiridas em farmácias, machucam ainda mais as células cutâneas, podem irritar a pele e gerar infecções.
Tecidos ou materiais que grudam no ferimento, como o algodão, devem ser evitados. O paciente queimado não deve retirar a roupa que estiver usando, ainda que houver sido atingida pelo fogo. O ideal é molhar a vestimenta e permanecer assim até a chegada ao pronto-socorro, para evitar que as bolhas estourem e que a pele seja arrancada.
Outro cuidado importante é retirar acessórios, como pulseiras e anéis, pois o corpo incha naturalmente após uma queimadura e esses objetos podem ficar presos.Em caso de acidente os contatos pra ligação gratuita são: Samu 192 e Bombeiros 193.
Valor dos fogos
Os preços variam. Entre os mais procurados estão o chamado ‘estalinho’ que sai pode ser encontrado por R$ 0,50 a caixa com 20 unidades e no atacado, R$ 20 o pacote com 50 caixas; a ‘palitinho’ ao valor de R$ 2 a caixa com 40 bombinhas e R$ 30 o pacote com 20 caixas; e os rojões, sendo o de três tiros saindo a R$ 10 a caixa com seis artefatos e R$ 15, com 12. A compra e utilização dos rojões só é permitida aos maiores de idade. Às crianças é liberado o estalinho e o palitinho. É o que garante o vendedor de loja especializada O Bonitão, no bairro João Paulo.
Fogos nos arraiais
A venda de fogos nos arraiais requer disciplinamento e para receberem o Certificado de Aprovação de Estabelecimento emitido pelo GAT, estes devem cumprir várias normas. Entre elas, evitar queima de fogos nas proximidades das barracas, em caso de venda observar a procedência e regras do fabricante e possuir extintor ou balde areia no local a fim de conter incêndios. O armazenamento é outra preocupação, pois há o risco de explosões. O GAT orienta evitar grandes estoques. Descumprindo estas normas, não é emitido o certificado e é aplicada multa, obedecendo a lei 6546 de 29.12.1995 do Código de Segurança contra Incêndio e Pânico (Coscip). A polícia pode intervir em casos de venda em locais inadequados ou clandestinos e a população pode acionar o 192.
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