Não existem barreiras para os portadores de
Síndrome de Down. Dois integrantes do grupo de música da Associação de
Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) São Luís, fazem a festa ao som do
bumba-meu-boi. Eles transformam qualquer ambiente em alegre e
descontraído, animação não é problema, principalmente quando se ouve a
batida dos instrumentos. Para eles o que importa é ser feliz por meio da
música e da dança. Mesmo diante das limitações, crianças, jovens e
adultos superam tudo e tornam-se protagonistas de suas histórias de
vida.
Um exemplo desta superação é Antônio Carlos Trindade Júnior, de 24 anos, que tem uma habilidade inquestionável para manusear o pandeirão, instrumento muito utilizado nas festas de bumba-meu-boi, assemelhando-se a um pandeiro. O som do pandeirão se mistura com o do maracá, que é feito com material reciclável de latinha de alumínio e sementes vegetais.
Haja fôlego para eles que cantam, dançam e tocam. Talita Danielle Sampaio, de 26 anos, sabe muito bem o que é isso. Ela é índia do boi, toca maracá, além de fazer parte de outro grupo. Indagada se gosta, ela responde com toda empolgação: “Amo dançar boi, ser índia, fico feliz, alegre, gosto de balé também”.
| portadores de Down desenvolve habilidades musicais no ritmo do bum-meu-boi desenvolve com po |
Quem acompanha de perto os ensaios de Talita é a mãe, Maria do Carmo, de 50 anos, que sempre incentivou a filha a participar das oficinas de dança, pois, segundo ela, traz mais habilidades. “A dança para o Síndrome de Down é o que há de melhor, eles adoram dançar, a minha filha tem uma habilidade muito boa para a dança. Ela sempre gostou, desenvolveu bastante, desde pequena acompanho, às vezes participo também”, explicou.
No ano passado o grupo de música foi campeão estadual e nacional do “Festival Nossa Arte” realizado em São Luís. A apresentação musical foi no ritmo da toada “Urrou do boi”, de composição de Bartolomeu dos Santos, o“Cochinho”, conhecida como hino oficial do folclore maranhense.
Para a coordenadora das oficinas pedagógicas, Ana Isabel Almeida, esse trabalho é importante para o pleno desenvolvimento das crianças, jovens e adultos, portadores da Síndrome de Down.
“O grupo é importante porque desenvolve a alta estima e o alto conceito. Elas se vêem mais bonitas e alegres. Nos ensaios elas se soltam, conseguem gravar uma coreografia, uma música, trabalham com o cognitivo, coordenação motora, alto controle. Quando elas estão no palco, a gente esquece da Síndrome de Down, ali são as artistas e alunas que superam as dificuldades”.
Além da oficina de música e dança, existem as de artesanato, pintura em tecido, horticultura, cozinha experimental e laboratórios de informática.
| Meninas encenam o espetáculo "Empreguetes", inspirada na novela global |
Grupo Empreguetes
Criado no ano passado, por meio do projeto da escola Eney Santana, que buscou trabalhar o respeito, diálogo, justiça, solidariedade, o grupo “Empreguetes” é composto por três alunas com síndrome de down, que tem como objetivo vencer as dificuldades e mostrar que todos são capazes e que a família, a escola, a sociedade têm papel importante para estimular e incentivar esses jovens e adultos.
A idealizadora, Zuíla Lobato, conta que o grupo foi feito a partir de uma novela, que abordava preconceito em relação às empregadas domésticas. Com isso, as estudantes Talita Danielle Sampaio, de 26 anos, Lidiane Ribeiro Silva, 31 anos, Sannilia Sá Araújo, de 24 anos, começaram a ensaiar a música que foi sucesso durante a novela. Atualmente elas se apresentam em diversos locais da cidade, mostrando o seu desempenho e habilidade de encantar quem as assistem.
Vida normal
Os portadores da síndrome podem adquirir independência física e cognitiva e levar uma vida social semelhante a qualquer pessoa. Em casos como o do jovem Gervásio Filho, portador de Down e aprovado em primeiro lugar no Instituto Federal do Maranhão (Ifma), o médico atribui a tratamento e estímulos precoces. “Se esse jovem alcançou essa independência cognitiva, certamente ele não necessita mais de tratamento”, avalia. Abidiel aponta ainda a evolução da medicina no trato desta síndrome. Antes, diz ele, a sobrevida de um portador de Down não passava do primeiro ano de vida, devido à evolução das cardiopatias desencadeadas pela síndrome.
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