Pensar em reeleições
primeiramente é fundamental avaliar o modelo de democracia que queremos
construir e desenvolver em nosso país – afinal, apesar de termos o discurso
teórico disseminado desde a promulgação da Carta Magna/88, de que vivemos em um
país democrático, tal discurso não é válido em sua essência, pois, sintetiza a
mais pura expressão do ocultamento de grandes verdades para proteger
determinadas lideranças expressivas e, ainda mais, tem sido profundamente
violentada por forças de coalizões conservadoras -; que tipo de financiamento é
o mais apropriado para a realização de uma campanha eleitoral; enfim, construir
um modelo que esteja condicionado às aspirações populares.
O instituto
reeleições no Brasil já deu provas suficientes e irrefutáveis de que não serve
como parâmetro indutor da participação popular-democrática; ao contrário, tende
a fortalecer sistematicamente o controle do poder político por parte de grupos
e/ou classes dominantes; além disso, desrespeita todas as regras estabelecidas.
De um lado, temos a disputa propriamente dita que, em principio é objeto de
intensa luta entre os distintos agrupamentos políticos na expectativa de
conquistar o poder e comandar a aparelho de estado e, dependendo de quem o
conquiste, pode ser bom ou mal para os governados; e, convenhamos
historicamente tal experiência tem sido muito mais negativa do que positiva.
Verdadeiramente uma
catástrofe administrativa. Os eventos e os ventos denunciantes da prática da
malversação do erário público constituem a tônica dos governantes e de
empresários para consolidar seu projeto pessoal de dominação e permanência no
poder.
E para isso, lançam
mão de todos os expedientes reprováveis e escusos no afã de permanecer à frente
do poder.
A democracia
brasileira tem sido ao longo da história relegada e violentada bruscamente por
conta do incontrolável desejo e ações de agrupamentos e representantes de
conglomerados industriais aliados e simpatizantes de candidatos x e y visando
se locupletarem logo após o pleito se tal candidato foi eleito com seu apoio
financeiro e, a partir da daí, vencer todas as licitações para resgatar o seu
“investimento”. Essa é uma cultura que tem produzido o esgotamento das finanças
públicas voltadas para o setor popular que esperam os investimentos necessários
em infraestrutura, transporte, saúde, educação, agricultura e mobilidade
social; no entanto, tais recursos estão sendo sugados pelos empreiteiros.
A reeleição desde
quando fora implantada em nosso país, ainda na gestão de FHC – quem não se
lembra da Emenda aprovada e a espetacular denúncia de compras de votos para
aprová-la? – ali tivemos um exercício concreto do que seria o espírito das
reeleições em nossa “Pátria amada”: o permanente culto à corrupção e o mais
horrendo nível de baixaria política a ser desnudada.
Isto é o que simboliza e ratifica o verdadeiro
sentido da luta das forças políticas conservadoras pela reeleição em nossa
sagrada “Pátria amada”.
Minha argumentação é
sintomática: condeno veementemente as reeleições em nosso país. O ideal é a
unificação das eleições (reduziriam ou ampliariam os mandatos dos deputados
federais e estaduais, governadores de estado e presidente da república ou,
então, aplicar a mesma formula em relação a prefeitos e vereadores; contanto
que, os níveis de poder se equiparassem e, assim, proceder às eleições).
Teremos uma única eleição de vereador a presidente da república, além de uma
condicionante: baixaríamos os gastos com campanhas de dois em dois anos como
ocorre atualmente. Tal modelo tem contribuído apenas para uma maçante sangria
irrecuperável de recursos jogados no “ralo”.
Na verdade, falar de
reforma eleitoral e política, inevitavelmente, essas questões perpassam como
fundamentais para o verdadeiro aperfeiçoamento da genuína democracia popular.
Deve ser também introduzida nessa reforma o modelo de escolha eleitoral, ou
seja, se o voto é distrital, distrital misto, proporcional ou, regionalizado,
mandato do partido e não do eleito, fidelidade partidária enfim, é necessário
optarmos por um modelo que seja capaz de aproximar mais o eleito ao eleitor e,
desse modo, o eleitor possa pressionar com maior força o eleito.
O modelo político
alemão é ideal para ser experimentado. Colocaria outra discussão/proposta: a
revogação do mandato. A campanha será com financiamento privado ou público?
Todas essas questões merecem maior atenção e, assim, certamente, estaremos
proporcionando a renovação de um envelhecido modelo viciado e absolutamente
corrupto e corruptor que sobrevive na atualidade.
Discutir com
responsabilidade a questão democrática e, aí, incluindo-se, reforma eleitoral e
partidária é essencial para desmistificar o mito de que a mesma é um poderoso
instrumento de participação popular. O conceito de participação popular
explorado pelas vozes dos representantes das classes dominantes não é o mesmo
disseminado pelas classes dominadas são, na verdade, antagônicos e
irreconciliáveis.
O Brasil precisa
urgentemente se livrar do modelo eleitoral vigente, para dar espaço a um modelo
revolucionário, eliminando assim, o querosene que queima muito ‘petróleo’ nos
bastidores político ocasionando a miséria eleitoral subsidiada na corrupção
interminável.
Por Jacinto Júnior
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