Avizinha-se o PED – Processo de Eleições Diretas – e, com ele, mais uma dura e intensa batalha entre as tendências internas pelo controle do aparelho diretivo.
Nesse processo de disputa arvora-se como alternativa a mesma e conhecidíssima tendência que comanda o partido por quase uma década.
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| Prof. Jacinto Junior |
No próximo mês (09/11/2013) será realizado o PED. Neste sentido, conclamo a todos os filiados e filiadas para marchar em direção ao local de votação e manifestar sua indignação e descontentamento com a atual conjuntura político-partidária e os rumos tomados pelos dirigentes – que, direta e indiretamente -, produziram uma pecha profundamente negativa ao PT e, ao mesmo tempo, atingindo, indiscriminadamente, a todos os membros como se os mesmos tivessem participado do processo de decisão e deram seu aval a tais atos desabonáveis.
Na atual conjuntura, aparentemente, tudo transparece estar bem, no entanto, é necessário esclarecer alguns pontos cruciais que provocaram o desgaste deste partido e de suas pseudolideranças neopetistas:
I. Há, em disputa, duas chapas. Esse fato, por si só, denuncia a crise interna que permanece ampliando e aprofundando as fissuras; eliminando a possibilidade de diálogo e entendimento.
II. A vitória no PED – tanto de uma quanto de outra chapa -, incrementará uma perspectiva progressista ou conservadora. O elemento propulsor de uma reviravolta interna é de competência exclusiva dos filiados que desejam compartilhar uma nova fase no partido considerando-se como parte constituinte do processo de transformação. Contudo, é possível que o PT caminhe na perspectiva do conservadorismo. A crença na concepção estratégica e tática imprimida pela direção colocando o PT mais uma vez, como guarda-chuva de uma candidatura neoburguesa da extrema direita (ala xiita do conservadorismo político local) deixa os olhos dos dirigentes neopetistas (aqui, substituo pelo adjetivo pós-modernistas) brilharem de satisfação.
III. O PT local não pode pensar nessa perspectiva medíocre e reducionista. Os neopetistas têm por obrigação restituir a decrépita legenda vermelha que, alhures, tivera um papel fundamental na luta social e política em nossa cidade irrompendo com a cultura conservadora de fazer política estabelecendo novos paradigmas. A atual convergência tática e estratégica proposta pela diretoria converteram o PT simplesmente numa relação de neutralidade política (de partido combativo a partido da cordialidade). Não é possível a um partido servir a dois segmentos e garantir sua sobrevida política. Ou é classista e popular ou é burguesista e conservador. O histórico do PT não se coaduna com a concepção conservadora de governança socialdemocrata.
IV. A ala considerada esquerdista (a qual pertenço) segundo o discurso dos representantes da direita petista (a qual denomino de pós-modernos e neopetistas) nos acusa de sermos politicamente “ultrapassados” e o que propomos como modelo de sociedade democrática e renovada não cabe mais nas atuais circunstâncias históricas, pois, o socialismo real ruiu no Leste Europeu. Mas, na verdade, o que defendemos é um concerto político espraiado na consolidação de uma democracia aprimorada, um programa moderno de sociedade em que o individuo é tratado como gente verdadeiramente. Em nenhum momento fizemos defesa apologética de um modelo marcado pela ditadura stalinista e burocratizado. Ao contrário, fomos severos críticos ao processo de Moscou. O próprio PT nunca se definiu como partido alinhado ao modelo russo de sociedade, sempre esteve marcando seu posicionamento diante da ditadura soviética sob o fantasma de Stálin. Portanto, é um equivoco acintoso nos acusar de stalinistas.
V. Nosso posicionamento tem gerado uma insatisfação à ala direita petista devido ao caráter e o conteúdo de nosso discurso programático internamente. São basicamente três pontos centrais: a) democratização do poder; b) liberdade de opinião e direito de defesa; e c) programa tático e estratégico de alianças. A ala direita petista (os neopetistas) ainda não ingeriu essa nova realidade, não aceita e não busca o diálogo. Usa e abusa do tráfico de influência para permanecer no controle do aparelho diretivo e, assim, conduz, praticamente, todo o processo tático e estratégico de composição de alianças sozinho (diga-se, os membros da direção partidária que, antecipadamente, decidem o que fazer e como fazer, usando o discurso do coletivo para legitimar tal articulação).
O PT sob o controle dos dirigentes pós-modernos edificou uma gigantesca muralha entre democracia transparência e participação colocando nossa legenda vermelha na vala-comum dos fatos históricos e, dessa forma, o PT deixa de ser protagonista da história para tornar-se mero coadjuvante de uma profunda mudança social.
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Ao tentar esclarecer um pouco a atual conjuntura político-partidária procurei adentrar no âmago de questões centrais e necessárias relativa ao PT.
O quadro interno é desolador. Não há esboço na tentativa de unidade. Há uma forte tendência à separação e divisionismo crescente. Por tudo isso, considero extremamente grave a situação enfrentada pelo PT e o seu programa. De um lado, temos um agrupamento de filiados que se preocupam com a condição ideológica do partido e, de outro, filiados preocupados consigo mesmo e seus interesses próprios.
O PT na verdade, não foi construído para ser instrumento de benesse para nenhum filiado, mas, sim, propor um modelo de sociedade sustentada na democracia, na ética, na liberdade, num sistema de direitos e garantias aos cidadãos; além disso, gerar condições concretas para implementar um conjunto de projetos proporcionando o desenvolvimento integral de nossa cidade criando oportunidades a todos os munícipes. O discurso proferido pelo representante da direita petista feri e apodrece a dignidade do esquerdista que defende o verdadeiro socialismo pelo simples fato de ele cair constantemente em contradição.
É mister reafirmar que, a construção pragmática proposta pelos neopetistas originou um terrível equivoco sob o ponto de vista social e político para o conjunto partidário como um todo. Na verdade, o que se constatou na prática com essa experiência pragmática e “restauradora” foi à condenação ao cadafalso político aqueles que se apresentaram como representantes do PT pós-moderno. Construíram, assim, o pragmatismo condenável e, ao mesmo tempo, geraram os notáveis neopetistas, filhos aloprados do derrotismo.

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